Eu quero ter 1 milhão de amigos!

A vida, em geral, é feita de escolhas. Somos uma combinação de resultados daquilo que escolhemos para nós, às vezes para nós e para os outros. Os relacionamentos são prova disso. Nossos círculos de convivência são criados a partir dos espaços que frequentamos e das pessoas com as quais desejamos (ou não) nos relacionar. Mas, existem escolhas que são comunitárias, como a que faremos nestas eleições. Escolheremos nossos vereadores e prefeitos. Confiaremos a estas pessoas o destino de nossas cidades, das nossas famílias, da nossa gente. Para isso é preciso que os candidatos cativem o nosso voto, chamem a nossa atenção. E olha! Confesso-me admirado do quanto somos queridos! Todos os dias ouço e vejo na campanha eleitoral: "Fulano de Tal, Vereador e Amigo"; "O Amigo do Povo"; "Esse é nosso Amigo de verdade". O tal do "povo" é mesmo muito privilegiado. Certa vez me ensinaram, ainda na catequese, que quem tem um amigo tem um tesouro. Então, caros (e)leitores, o povo não tem do que se queixar. Reclama de barriga cheia. Está aí uma legião de amigos e amigas, a maioria com um sorriso no rosto e uma mensagem em 10 segundos. Quer prova maior de amizade do que esta??? E todo esse carinho é oferecido com a gratuidade que lhe confere a lei para a propaganda eleitoral. Em troca, os nossos amigos não esperam quase nada. Só um voto. Depois, não precisa nem proculá-los para não haver desgaste na relação. Como um bons amigos eles voltarão, pode demorar um pouco, uns quatro anos, mas eles voltarão. Pois, assim agem os verdadeiros amigos. Eu quero ter 1 milhão de amigos. Mas de amigos que não queiram apenas um voto de confiança!!
Escrito por Carlos Ben Alves às 15h09
[ ]
[ envie esta mensagem ]
[ link ]
|
A magia dos Jogos

Os Jogos Olímpicos são, realmente, uma festa magnífica. A reunião de atletas, jornalistas, voluntários, torcedores e pessoas sem nenhuma identificação específica, advindas de quase todos os lugares do mundo. A disputa por medalhas é cercada de expectativas por quebras de recordes e por colocar o país na posição mais alta do pódio. Uma competição de altíssimo rendimento, sem dúvidas. Aliás, nem tanto. Ficam sim algumas dúvidas no ar. Não, não! Não me refiro àquele atleta correndo no ar para acender a Pira Olímpica, esse nós sabemos que estava suspenso por cabos de aço para criar a ilusão de flutuar. É a tal da magia dos jogos não é mesmo?!? Talvez com essa justificativa da magia é que os chineses colocaram uma "dublê" para cantar na cerimônia da abertura, porque a dona da bela voz não gozava da mesma beleza em seu rosto (e ainda dizem que chinês é tudo igual). Ou ainda, forjaram aquelas pegadas nos céus de Pequim para não estragar a precisão da festa. É, eu sei. Esses são aspectos minúsculos, fúteis até. Em nome da magia dos jogos são construídas farsas muito maiores. Que o digam os tibetanos. No Brasil o pi-li-li-pim olímpico parece ser capaz de mudar radicalmente os acontecimentos sociais. Prova disto, é que nossos telejornais se dedicam quase exclusivamente a reportar nossas derrotas e fracassos em Pequim, quase não há espaço para o que tá acontecendo por aqui (E está acontecendo alguma coisa?). Ah sim, ganhamos uma coisa ou outra de vez em quando. Contudo, faltam investimentos concretos para alavancar os esportes olímpicos no Brasil. Apenas um seleto grupo recebe apoio pra valer. A maioria dos nossos atletas precisa tirar dinheiro do próprio bolso para conseguir condições mínimas de competir. Então, caros torcedores brasileiros, é por isso que celebramos tanto nossas oitavas colocações, chegarmos a uma final, catarmos um bronzezinho... Porque no fim das contas - quando são feitas contas - não era para ganharmos nem isso. E ainda há quem acredite que o Rio de Janeiro possa sediar os jogos. A magia dos jogos pode esconder muitas coisas, mas quando se trata de dinheiro, o COI sabe muito bem em que cartola está o coelho. O Rio vai continuar lindo... E os Jogos também!!
Escrito por Carlos Ben Alves às 10h59
[ ]
[ envie esta mensagem ]
[ link ]
|
Para os otários e para as otárias!!
Outro dia estava em um ônibus, durante uma das minhas quatro viagens das quartas-feiras, quando olhei pela janela e vi escrito na lataria de um outro ônibus: "Para os otários e para as otárias". Sensasional!! Uma verdadeira contemplação da diversidade de gêneros e da igualdade de classes. E olha que essa valorização feminina não é tão antiga assim não! De uns tempos pra cá é que a maioria das pessoas passou a adotar um discurso politicamente correto, e introduzir suas falas com uma cordial saudação a "todos e a todas". Vendo aquilo logo pensei: - a transgressão e o politicamente correto lado a lado, construídos em um mesmo exemplo. Depois, passei a refletir sobre o que se passou na mente daquela pessoa ao escrever a frase. Será que o objetivo era mesmo o de não deixar ninguém de fora. Digo, para que as mulheres não se sentissem alheias àquele recado? Afinal, pode ter sido apenas um ato impensado, como tantos outros que vemos por aí. Mas, o fato é que aquele era um sinal de mudança no comportamento. A inclusão chegando a todos! Claro, que quem não sabe ler não vai participar desta inclusão. Vai simplesmente ver o ônibus passar com alguns rabiscos em sua lateral e não vai dar a mínima. E o que isso importa? Os analfabetos já estavam excluídos desta mensagem desde o momento da sua confecção. Ninguém escreve para quem não sabe ler. Escrevemos para os letrados, para aqueles que acreditam que o politicamente correto é referir-se a "todos e a todas", aos "companheiros e companheiras"... Contudo, ainda é preciso percebermos que muita gente está gritando para ser incluída no processo de leitura. E quando falo isso, me refiro a uma leitura de mundo, numa capacidade interpretativa das coisas que estão ao nosso redor, afim de que todos e todas possam compreender o recado dado para os otários e para as otárias.
Escrito por Carlos Ben Alves às 18h58
[ ]
[ envie esta mensagem ]
[ link ]
|
ESCREVER É PRECISO

Reativar um blog depois de tanto tempo não é uma tarefa das mais fáceis. Ainda mais quando essa ação não foi planejada, mas sim, fruto de um entusiasmo momentâneo.
Passada a reestréia fica aquela pressão de escrever algo novo, de atualizar, enfim, o sentimento de que escrever é preciso.
Talvez essa mesma necessidade por algo novo motivou os colonizadores/exploradores da Europa a enfrentar os mares em busca de especiarias e de novas terras. Assim, Navegar foi preciso.
Logo desta vez ao me debruçar diante do computador e de um arquivo em branco fiquei pensando sobre o que escrever. Aí logo me veio a idéia da “metalinguagem”, esse negócio de usar uma coisa para falar dessa coisa mesmo.
Tal muleta já virou clichê em vários segmentos de produção, da TV ao Cinema, da Gramática a este blog.
Texto a Vista!
Estava eu diante de uma idéia nova, onde se pensando tudo dá.
Não sei se posso dizer que como por um desvio da rota acabei chegando a este texto. Soaria falso demais para meus leitores (se é que os tenho).
Só que foi por um desvio de rota que dizem que este país tão imenso foi encontrado. Mesmo que essas terras tenham sido divididas por um tratado antes mesmo de sua descoberta.
Claro que eu não fiz nenhum tratado com ninguém de que continuaria escrevendo. A não ser o que fiz comigo mesmo. Afinal, porque alguém voltaria a postar em seu blog se não fosse pelo desejo de expressar suas idéias, de navegar em suas visões de mundo.
Ainda não sei ao certo como cheguei neste texto. Isso é fato. Mas, não vai ser por isso que vou dizer que estava perdido, sem idéia e de repente fui escrever sobre o fato de não ter idéia e aí cheguei aqui.
Se eu tivesse navegando no mar de verdade, há mais de 500 anos, essa desculpa poderia até colar. Ou copiar e colar que está mais na moda.
Enquanto o mundo continua navegando, acho que vou continuar escrevendo enquanto ainda for preciso.
Escrito por Carlos Ben Alves às 15h19
[ ]
[ envie esta mensagem ]
[ link ]
|
MULHERES
Os dias especiais são um convite à expressão de sentimentos, gestos de carinho e de afeto. São datas transformadas em especiais pelos méritos de seus homenageados.
Então, se o dia é das mulheres vamos falar delas. E para nós, os homens, não há assunto mais interessante do que este, nem mesmo as calorosas discussões sobre futebol tem igual importância.
Só que este não é um papo entre homens, é uma homenagem às mulheres. Pois, convenhamos, nem sempre as conversas masculinas sobre o sexo oposto podem ser classificadas como preito. Em sua maioria são mesmo afrontas, uma total ridicularização da mulher.
Mas como homenagear as mulheres nos dias atuais? Digo isto porque até nossas músicas hoje as tratam como “cachorras”. Parece até que a mulher perdeu o valor do tempo em que eram “divinas e graciosas, por Deus esculturadas”.
Quero fazer um convite às mulheres!
Exijam serem tratadas sempre como mulheres. Não permitam que o modismo, as gírias (ou a safadeza mesmo), as diminuam da condição de ser mulher.
Afinal, os dias especiais só os são pelos méritos de seus homenageados.
Mães, Sogras, Namoradas e tantos outros títulos enchem o nosso calendário com homenagens às mulheres. Mas, só hoje elas são lembradas por sua essência feminina.
E o mérito de ser mulher é muito mais do que uma combinação de cromossomos, é uma dádiva e uma luta diária por respeito numa sociedade marcadamente machista.
Só que como em toda luta haverá dias de vitórias e dias de derrotas. Haverá cicatrizes, marcas que ficam na história. Na história que é de todos, homens e mulheres. Na homenagem que é de todos, homens e mulheres. No dia que é só delas, das MULHERES.
Escrito por Carlos Ben Alves às 15h35
[ ]
[ envie esta mensagem ]
[ link ]
|
PENA DE MORTE PERPÉTUA

Os que optaram por ler este texto devem estar pensando: Porque só agora uma abordagem sobre a execução do Saddam? Isso já nem é mais notícia. É. Os nossos noticiários, vorazes como são, já não aceitariam um assunto tão antigo. Mas, ninguém quis saber se esse negócio de forca também não era antigo pra caramba. O medievalismo se apresentou em nossa tv como um espetáculo de horror em nome da paz e da segurança mundial. Um a um foram sendo enforcados todos aqueles homens bárbaros que cometeram as mais absurdas maldades contra a humanidade. Quer dizer, pelo menos aqueles que estavam do lado do Saddam. A execução do ex-líder iraquiano foi, segundo testemunhas, rápida e, provavelmente, indolor. Assim como as notícias sobre o assunto: rápidas e indolor (ainda que o apresentador do telejornal faça aquela cara de quem viu o pai na forca). Saddam foi premiado com a utilização de uma corda longa que permite a queda do corpo, provocando a ruptura das vértebras cervicais e parada respiratória. Do contrário, se tivessem usado uma corda curta, aconteceria o que costumam chamar de "Morte Suja", pois o condenado perde o controle sobre os esfincteres (músculos anulares contráteis que servem para abrir e fechar vários orifícios ou ductos naturais do corpo. fonte: Dic Michaelis UOL) e se caga todo. Cruel não é! A lição foi bem aprendida. Tanto que o mestre Saddam não quis que seu rosto fosse coberto com um capuz. Ele parecia orgulhoso por ver aqueles que o condenavam cometer o mesmo erro. O erro fatal, a penalidade mortal que alguns julgam ter sobre os outros. Como Saddam julgou ter por muito tempo. Como a corte (americana) que o condenou julga ter em nome da humanidade, mas cobre a cabeça dos algozes para que o mundo não os reconheçam em suas imagens. Nas imagens que passaram... nos telejornais. Não sei em que a execução do ditador melhorou o mundo. Talvez alguém acredite que a saliva expelida pelo corpo pendurado seja um bálsamo miraculoso que fará ressurgir todos os que morreram sobre o punho de Saddam. Talvez alguém acredite que a cultura da morte possa promover a paz. Talvez alguém acredite que vale a pena não esquecer os atos de brutalidade do mundo para que não se cometam os mesmos erros. Ainda que tenhamos que esperar o próximo dia 30 de dezembro para ouvir falar de Saddam e sua pena de morte perpétua para a humanidade.
Escrito por Carlos Ben Alves às 13h53
[ ]
[ envie esta mensagem ]
[ link ]
|
Demasiada Ordem
"Onde há demasiada ordem nada se cria" (Pedro Demo)
Todos os dias experimentamos as novidades apresentadas (impostas) pelos avanços das ciências e tecnologias. Em nossas casas recebemos a visita constante dos senhores da informação, alardeando mudanças no cenários econômico e social do planeta globalizado, fruto dessas mudanças. Mas, e quando saímos de casa? Observamos algum tipo de mudança no nosso cotidiano? Este espírito criativo que alavanca o progresso talvez não esteja tão presente no nosso dia-a-dia. Isto é natural, pois os estímulos que recebemos não levam a questionamentos ou reflexões, mas sim a perpetuar o estado de inércia, o status quo, a ordem. O curioso é percebermos que toda ordem obedece a critérios de organização, logo, nosso cenário social é fruto dos interesses de quem controla tais critérios. O controle da ordem é o controle da criação. O infortunio maior é constatarmos que a criação assusta por levar a mudança. Pior ainda é quando o novo é muito igual ao antigo, quando o novo nos recoloca na ordem pré-existente por não acreditar que uma nova ordem é possível. Bem mais possível até, do que ter o quarto bagunçado sem ninguém reclamar da desordem. Vamos então exitinguir a ordem? Não, não diria isto. Soa desorganizado demais. Nada desse negócio de que tudo é permitido abaixo do equador. Vamos sim questionar a ordem afim de sabermos por que a estamos seguindo. Afinal, criação cheira a desenvolvimento, a avanços técnicos, científicos, econômicos e sociais, cheira a PROGRESSO. OPA!?! Neste país "Ordem e Progresso" não caminham lado a lado? Xiii.... Onde há demasiada ordem nada se cria.
Escrito por Carlos Ben Alves às 10h32
[ ]
[ envie esta mensagem ]
[ link ]
|
Fanzine coletivo

Um turbilhão de pensamentos deve passar todos os dias pelos coletivos que circulam na cidade. Já imaginaram quantas pessoas utilizam o serviço de transporte coletivo diariamente? E mais do que isso, quantos pensamentos cada uma dessas pessoas é capaz de produzir enquanto se encaminha para seu destino? Certo dia fiz essa reflexão, descobri que seria um fanzine coletivo e pensei descobrir o que cada pessoa pensava:
Droga já estou atrasado não sei que horas vou chegar cedo hoje para não dar motivos de sobra me fizeram tomar essa atitude dela não tem nada a ver com o que eu fiz arroz com feijão para o almoço da semana que vem na casa dos pais da minha amiga não deveria se preocupar tanto com o resultado da prova de amanhã eu não terei coragem de contar se eu não disser logo depois da festa ele vai me procurar um novo emprego é a única saída do hospital é na rua que dá para o mercado central está com uma liquidação maravilhosa essa morena não pegaria chuva no meu telhado tá todo empoeirado esse banco é tão desconfortável ter que apresentar a carteira para o cobrador pode me informar aonde fica a parada foi tão brusca que aquele moço quase caiu perto do motorista tem uma vaga para colocar minha sacola quase não cabe minhas coisas são só minhas idéias... minhas idéias... ai meu Deus é o ponto final.
Escrito por Carlos Ben Alves às 11h08
[ ]
[ envie esta mensagem ]
[ link ]
|
Salada Sócio Lingüística
Nações do mundo, uni-vos! Eis o novo grito dos povos que clamam pela paz. É preciso construir entre as nações uma ponte de amizade, mas não da Amizade de concreto por onde passa o contrabando.
E quem será contra o bando? Este bando que é contra o povo.
Ah! O povo grita pela união das nações, só que as Nações Unidas não se unem, cada uma defende o seu próprio interesse.
Então que caras agem pela paz? Não se sabe, só se sabe quem age pela passagem cara, quem forma os cartéis, quem forma as quadrilhas.
Quadrilhas?! Já é São João?Não é a rocinha e os fogos não são de artifício, são de metralhadoras.
O que será então do lar das famílias brasileira? Não importa, o que importa é como esta o dólar e sua cotação no mercado brasileiro, para que a equipe econômica possa tomar as providências e não quebrar a previdência com o mínimo aumento do mínimo.
O caso é grave e a solução é greve. Vamos todos para as ruas reivindicar nossos direitos.
E quem já está nas ruas e não tem onde morar, para onde vai? Vai para debaixo da ponte, a ponte de concreto por onde passa o contrabando.
Escrito por Carlos Ben Alves às 15h13
[ ]
[ envie esta mensagem ]
[ link ]
|
Os Cálices
Todos nós (em algum momento da vida) temos a oportunidade de conhecer pessoas que passam a fazer parte de nossa história. Alguns como protagonistas, outros como antagonistas, outros ainda como coadjuvantes e muitos, mas muitos mesmo, não passam de figurantes. Essa classificação, embora não pareça muito nítida e nem todo mundo seja capaz de fazê-la, é muito clara em momentos comuns do dia-a-dia. Principalmente quando paramos para avaliar o trânsito que as pessoas fazem entre as diversas categorias, aqui representadas por elementos cênicos. Você já se perguntou como o seu (sua) melhor amigo(a) chegou a esse patamar? O que faz dele(a) o (a) melhor? Questões como estas são complexas demais para se responder em um texto tão pequeno quanto este. Mas são ilustrativas o suficiente para minha pretensão. O propósito deste texto será levar você a dizer "Puxa, eu nunca tinha pensado nisso antes". Sendo um pouco mais formal, o que eu quero é "tornar exótico um gesto familiar" (só pra lembrar um autor que eu esqueci o nome). Durante a Idade Média era muito comum nos castelos o uso de cálices de ouro para as bebidas da realeza. Em alguns cultos cristãos o cálice também é lembrado por ter sido usado na Santa Ceia para a partilha do vinho. Isso sem falar no Graal Sagrado que teria poderes miraculosos. Com o passar do tempo o cálice caiu em desuso, pelo menos entre a população geral, dando lugar aos mais variados tipos de recipientes usados para tal fim. Taças e copos de inúmeras formas, tipo de materiais e para as mais diversas convenções sociais. Contudo, quase não há casa que não tenha um copo de alumínio, ou mesmo os famosos copos de massa de tomate ou requeijão. Como também quase não há casa que não tenha copos de vidro ou cristal. Eu sei que o texto está confuso, cheio de elementos que parecem não ter nada a ver, mas com um pouquinho mais de paciência vamos dar os pontos certos nestes retalhos. Vamos resgatar as pessoas que entram na nossa vida que foram citadas no início. Dificilmente um desconhecido recém-conhecido entra em sua casa. Para este passo é necessário que ele tenha um pouco mais (embora não tanto) de intimidade. Assim começamos a aquecer o termômetro do relacionamento e a pessoa vai se tornando mais próxima. Para que a relação dê certo temos que oferecer um pouco de nós a fim de que sejamos "conhecíveis". Então nos apresentamos da maneira que mais nos parece conveniente, ou seja, assumimos certas posturas e não deixamos transparecer certos comportamentos que para um recém-desconhecido um pouco mais próximo, poderiam ser repulsivos ou desagradáveis. Da mesma maneira quando permitimos que alguém entre em nossa casa, nós oferecemos um pouco de água. E é aqui que se percebe o grau de intimidade do recém-desconhecido. Pois neste momento nós não oferecemos o copo mais simples da casa, mas sim buscamos aquele mais pomposo afim de parecermos agradáveis aos olhos do outro. O tempo que não cansa de passar, passa. O recém desconhecido agora já foi promovido, já deixou de ser um figurante e passa a ser coadjuvante. Você já até permite que ele conheça seus defeitos se porventura uma distração fizer cair a máscara. Você já até permite que ele beba água no copo de alumínio se porventura você for pego de surpresa ao fazê-lo. E o tempo... Agora já estamos diante de um protagonista de nossa vida. Já não temos por que nos preocupar tanto com o que ele vai pensar, ele já é de casa. A partir daí já não há barreiras, já não nos oferecemos mascarados, mas como semelhantes, como aqueles que tem certeza que seus defeitos não são maiores que o da outra pessoa. Agora já não oferecemos mais a água. O protagonista é quem vai buscar. E ele vai buscar na intimidade da geladeira, usando o copo que quiser. E nós não nos importamos mais. Não nos preocupamos mais em parecer melhores. Não que isto nos fez piores. Nos fez apenas despertar o sentimento de segurança por não termos oferecido o copo de alumínio a alguém que o rejeitaria.
Escrito por Carlos Ben Alves às 17h28
[ ]
[ envie esta mensagem ]
[ link ]
|
|

|
|

|